quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Sobre o post "A Racionalidade da Ordem Natural"

Bom, eu retirei esse texto temporariamente (Será? Como eu quase nunca termino o que ocmeço neste blog, a coisa pode acabr se tornando definitiva...) porque fui fazer a besteira de dar uma lida nele.

Fiquei impressionado como aquela era umas das postagens mais acessadas e elogiadas! (Sim, algumas pessoas elogiaram). Era simplesmente ruim.

Eu realmente quero fazer um texto muito bom para este título, veremos o que pode sair.

Mais do mesmo (teoria da exploração)

Achei um texto excelente (bom, alguém confia no meu gosto?) sobre a importância do conceito de exploração dentro da doutrina libertária e sobre o que vem a ser libertarianismo dialético. Ele foi apresentado por Matt Mackenzie para o "Molinari Society". Aqui vai o link:

http://upaya.blogspot.com/2007/03/exploitation.html

O Charles Johnson a que ele se refere no texto tem ótimos ensaios disponíveis, depois eu vou comentar alguma coisa a respeito.

(Se não fosse a minha total falta de tempo eu até pensava em traduzir alguns desses ótimos trabalhos, mas tá difícil. Esse blog quase morre no meu período de aulas, é triste... hehehe)

sábado, 23 de junho de 2007

O que a tecnologia não faz por voce?

Alguém deve ter percebido (se bem que o sitemeter indica que ninguém mais entra aqui, hehe) que eu perdi os comentários anteriores à mudança de template. Isso é uma porcaria.

Eu tinha uma conta no haloscan para esse blog, mas nunca tinha usado. Eu fiz bem no começo, mas tinha desistido de usar. Acontece que aceitei a sugestão do blogger em migrar pro novo sistema de administração de template lá, só por causa da opção de dar labels às postagens (inveja do wordpress, sabe como é...).

O problema é que, ao fazer isso, automaticamente aceitei ativar a conta do haloscan (pelo visto foi isso). Como toda maravilha tecnológica que supostamente serve pra melhorar sua vida, aparentemente o haloscan tem uma instalação automática para o novo blogger.

Acontece que eu não pedi por isso, não me lembro de ter pedido essa intalação, hehe.

OK, mas, também supostamente, eu poderia acessar os comentários antigos que tão no blogger e dar um ctrlC-ctrlV no sistema do haloscan. É, supostamente só. Porque eu não to conseguindo abrir as pocarias dos comentários antigos.

Ah, supostamente eu poderia acabar com minha conta do haloscan. É, poderia. Mas antes eu tentei ser menos radical e a transferi pro meu outro blog, livrando esse aqui do serviço de comentários por eles. Eu suponho que esse mundança que eu acabei de fazer só vá ter efeito daqui a algumas muitas horas... mas já estou esperando que não. Porque, voces sabem, o blogger e o haloscan são serviços bem confiáveis. Né...?

sábado, 9 de junho de 2007

Os dois Socialismos

Traduzi este trecho do livro "The Natural Economic Order" de Silvio Gesell (original aqui), no qual ele compara os socialismo de Proudhon e Marx.

1-Marx sucumbe à falácia popular segundo a qual o capital consiste de bens materiais. Para Proudhon, pelo contrário, os juros não são um produto de bens materiais, mas de uma situação econômica, uma condição do mercado.


2-Para Marx o mais-valia representa a exploração resultante do abuso de um poder conferido pela propriedade. Para Proudhon a mais-valia é sujeita à lei de oferta e procura*.

*[NT:Neste blog já se discutiu se a teoria da exploração marxista depende da teoria de valor trabalhista, ou mesmo se a sua teoria do valor-trabalho não se baseava nas leis de oferta e procura, igualmente à de Proudhon (confira aqui).]

3-De acordo com Marx, a mais-valia deve ser invariavelmente positiva. Para Proudhon a possibilidade de mais-valia negativa deve ser levada em consideração. (Mais-valia positiva é mais-valia no lado da oferta, ou seja, do capitalista, mais-valia negativa é mais-valia no lado da força de trabalho).

4-O remédio de Marx é a supremacia política dos expropriados, a ser alcançada pelos meios de organização. O remédio de Proudhon é a remoção dos obstáculos que nos impedem do desenvolvimento pleno de nossa capacidade produtiva.


5- Para Marx, greves e crises são bem vindas, e a expropriação final dos expropriadores através da força são meios condizentes com o fim. Proudhon, ao contrário, diz: de forma alguma se permitam ficarem separados do trabalho, já que as aliadas mais poderosas do capital são as greves, as crises e o desemprego; onde nada é mais fatal ao capital que o trabalho duro.

6-Marx diz: Greves e crises irão conduzi-los em direção a sua meta; o grande colapso vai levá-los ao paraíso. --Não, diz Proudhon, isso é conversa fiada, métodos dessa natureza os levam em direção contrária à meta. Com tais táticas nunca se roubará um por cento sequer da usura.

7-Para Marx a propriedade privada significa poder e supremacia. Proudhon, ao contrário, reconhece que a supremacia está baseada no dinheiro, e que sob condições modificadas o poder da propriedade privada pode ser transformado em fraqueza.

Sobre o livro de Gesell, ainda to no começo. Como quase todo liberal ou anarquista pós-Spencer, tem muito de Darwinismo Social que me incomoda. Mas até agora tem sido uma leitura interessante (embora eu não tenha avançado muito... prova de eletrônica e sinais!! Ahhhhhhh).

Mas achei esse trecho interessante. Compare com esse outro, tradução do libertyzine:

"Existem dois Socialismos.

Um é comunista, o outro solidarista.

Um é ditatorial, o outro libertário.Um é metafísico, o outro positivo.

Um é dogmático, o outro científico.

Um é emocional, o outro reflexivo.

Um é destrutivo, o outro construtivo.

Ambos estão em busca do maior bem estar possível para todos.

Um tenta estabelecer a felicidade para todos, o outro possibilitar que cada um seja feliz da sua própria maneira.

O primeiro considera o Estado como uma sociedade sui generis, de uma essência especial, produto de um tipo de direito divino fora e sobre toda a sociedade, com direitos especiais e capaz de exigir obediências especiais; o segundo considera o Estado como uma associação como qualquer outra, geralmente manejada pior que as outras.

O primeiro proclama a soberania do Estado, o segundo não reconhece nenhum tipo de soberano.Um deseja que todos os monopólios sejam mantidos pelo Estado; o outro deseja a abolição de todos os monopólios.

Um deseja que a classe governada se torne a classe governante; o outro deseja o desaparecimento das classes.

Ambos declaram que o estado de coisas existente não pode durar.O primeiro considera revoluções como agentes indispensáveis de evoluções; o segundo ensina que a repressão sozinha transforma evoluções em revoluções.

O primeiro tem fé num cataclisma.

O segundo sabe que o progresso social resultará do livre jogo dos esforços individuais.Ambos entendem que nós estamos entrando num período histórico.Um deseja que não houvesse nada além de proletários.

O outro deseja que não houvessem mais proletários.

O primeiro deseja tirar tudo de todos.

O segundo deseja deixar cada um com a posse do que é seu.Um deseja expropriar a todos.Outro deseja que todos sejam proprietários.

O primeiro diz: "Faça como deseja o governo.

"O segundo diz: "Faça como você deseja."

O primeiro ameaça com o despotismo.

O último promete liberdade.

O primeiro torna o cidadão um sujeito do Estado.

O último torna o Estado o empregado do cidadão.

Um proclama que as dores do trabalho serão necessárias para o nascimento de um novo mundo.

O outro declara que o real progresso não causará sofrimento para ninguém.

O primeiro tem confiança numa guerra social.

O outro acredita somente nos trabalhos da paz.

Um aspira comandar, regular, legislar.

O outro deseja conseguir o mínimo de comando, de regulação, de legislação.

Um seria seguido pelas mais atrozes reações.

O outro abre ilimitados horizontes ao progresso.

O primeiro fracassará; o outro sucederá.

Ambos desejam a igualdade.

Um abaixando as cabeças que estão altas demais.

O outro leventando as cabeças que estão muito baixas.

Um vê a igualdade sob um jugo comum.

O outro assegurará a igualdade em completa liberdade.

Um é intolerante, o outro tolerante.

Um assusta, o outro tranqüiliza.

O primeiro deseja instruir a todos.

O segundo deseja habilitar todos para instruirem a si mesmos.

O primeiro deseja sustentar a todos.

O segundo deseja habilitar todos para sustentarem-se.

Um diz:A terra para o Estado.

A mina para o Estado.

A ferramenta para o Estado.

O produto para o Estado.

O outro diz:A terra para o cultivador.

A mina para o mineiro.A ferramenta para o trabalhador.

O produto para o produtor.

Há somente esses dois Socialismos.

Um é a infância do Socialismo; o outro é sua idade adulta.

Um já está no passado; o outro é o futuro.

Um dará lugar ao outro.

Hoje cada um de nós precisa escolher um ou outro desses dois Socialismos, ou então confessar que não é Socialista."

[tradução de onde tirei aqui]

domingo, 3 de junho de 2007

Textos Favoritos

Por sugestão de um leitor, vou colocar aqui os links dos textos favoritos do blog (como eu ainda gosto do que escrevo, apesar de tudo, quase todos são preferidos).
Um detalhe, mesmo sendo textos dos quais ainda gosto (pelo simples fato de terem sido escritos por mim, hehehe), me sinto muito insatisfeito com o "Racionalidade da Ordem Natural" e o "A mão invisível da autoridade". Eu penso que alguém aí deveria roubar os títulos e fazer textos melhores com ele!
Aí vão os links:
Festival da Exploração:
Direita e Esquerda:
Political Tactics?:
Táticas Sociais:
Praxeologia:
Nossa, já foram tantas emoções. Em quantos meses, 3?

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Our Enemy, The Plutocracy** (Parte I)


**Antes que voce venha perguntar o motivo do título em inglês, talvez voce não tenha entendido uma piada. Se não entendeu é porque ainda não conhece Nock e seu "Our Enemy, The State" (que voce encontrar aqui, em pdf).


Tanto liberais quanto socialistas estão certos em sua denúncia e críticas à classe dominante. Eles não se entendem sobre quem cumpre o papel de tal classe, os primeiros enxergam os políticos como tal, os segundos os plutocratas.
Aqui está minha opinião: ambos os lados são aspectos da mesma moeda, da moeda da autoridade.

Socialistas como Marx (sim, existem socialistas que não são "como Marx", e voce deveria conhecê-los) consideram que todo o problema está no poder da classe dominante, sendo o Estado apenas mais uma ferramenta de dominação desta. Como marxistas não têm uma teoria ética bem definida sobre a legitimidade da ação coercitiva, eles não enxergam problemas com o Estado em si, desde que esse esteja sob o controle das forças operárias. Bom, para o leitor deste blog eu acho que não preciso explicar que não concordo completamente com essa perspectiva (embora o fato de eu concordar em alguma extensão com ela possa ser surpreendente para alguns).

Bom, como este blog é direcionado ao público mais liberal (Opa, quem inventou isso de público e direcionamento??), não vou falar aqui sobre a ilegitimadade das ações coercitivas do Estado e outras coisas que voce encontra em outros blogs libertários. Mas sim sobre a casta dominante, sobre o pequeno grupo de pessoas que inflencia as decisões políticas, que articula o poder, que manipula o cenário. Alguém realmente duvida que exista tal classe?
Meu palpite sobre o motivo desta dúvida em alguns liberais/libertários é o seguinte: eles já gastaram tanto tempo rebatendo argumentos estatistas de socialistas que acabaram construindo uma proteção de respostas que ignora mesmo os pontos em que o outro lado está nitidamente com a razão, pontos cuja a aceitação não implica em contradição com nenhum princípio libertário. Pontos, inclusive, que remotam à tradição libertária de pensamento. E esse é um desses pontos.

Não é um trabalho lógico tão grande concluir que a classe economicamente e/ou ideologicamente poderosa é capaz de articular o poder político em seu favor ou de se transformar ela mesma uma estrutura política, não é um trabalho histórico muito grande descobrir exemplos de como isso se dá. Bom, mas isso já foi muito tratado neste blog, vou me aprofundar mais dessa vez na seguinte questão: Será que afirmação geralmente em resposta ao libertário (principalmente o mais radical, mais próximo do anarquismo) de que a simples abolição do Estado não resolveria realmente o domínio de uma classe sobre outra; ou, de uma maneira mais "marxista", de que o poder de coerção da classe que tem o monopólio do capital (geralmente a mesma que também tem o poder sobre a cultura dominante) sobreviveria mesmo sem a proteção do Estado; não é verdadeira?

Eu creio que sim.

Mas antes de explicar mais detalhadamente os motivos por trás do meu posicionamento, vou falar rapidamente sobre duas coisas: i)o que eu quero dizer mais especificamente com "classe dominante" e ii)a razão de eu dar maior apoio à causa liberal/libertária.

i)Como classifica Roderick Long:

Whenever the decisions and actions of the political machinery are largely controlled by a particular group, and serve to advance the interests and reinforce the power of that group, such a group is properly called a ruling class. A ruling class is, obviously, a bad thing to have.(...)

Political power magnifies the influence of the wealthy, thus turning them into a powerful élite (...); but in the absence of a state, competition would serve to keep such power in check.

Que eu traduzo:

Sempre que as decisões e ações da máquina política são largamente controladas por um grupo particular, e servem para satisfazer e impor o poder deste grupo, tal grupo é propriamente chamdo de classe dominante. Uma classe dominante é, obviamente, uma coisa ruim a se ter.
(...)

O poder político amplifica a influência dos ricos, dessa forma tranformando eles numa elite poderosa (...) mas, na ausência de um estado, a competição serviria a manter tal poder em vigilância.

Esse trecho também responde o ponto ii): a abolição do estado diminuiria grandemente o poder da classe dominante, por isso a causa liberal/libertária é urgente.

Mas isso não muda o fato de que, mesmo que num mercado de livre competição é menos provável de acontecer um cenário de grande poder de coerção da classe dominante, a possibilidade é real.

Nas próximas postagens eu vou citar os exemplos que Roderick Long usa nesse texto, sobre a pratonagem no Grécia Antiga e na Era Medieval e incluir uma descrição mais profunda sobre a análise de classe que permite essa caractezação de uma classe dominante.

Link do texto de Roderick Long.


Links de posts deste blog que podem se relacionam com este (aqui e aqui).

terça-feira, 15 de maio de 2007

Socialismo Voluntário e Anarco-Capitalismo


-Proudhon, um socialista, sentava ao lado de Bastiat, um liberal, na Assembléia francesa. Ao responder a um artigo de Bastiat chamado "Capital et Rente" [NOTA: Capital e Interesse], Proudhon inciou o que se tornaria um debate público entre os dois que durou 14 cartas.

Aqui voce encontra algumas cartas de Proudhon, aqui voce encontra o artigo de Bastiat.

-Molinari fazia parte da Ligue pour la Liberté des Échanges junto com Bastiat. Ele é o pai de todos os anarco-capitalistas com seu tratado "Da produção da segurança" de 1849 (tradução do libertyzine aqui), o qual defende a livre concorrência de agências de segurança privada no mercado. O mesmo Molinari escreveu uma carta aberta para socialistas perguntando porque esses não se juntavam aos defensores do livre comércio (link para a tradução do libertyznie aqui).

Tandy era um socialista que defendeu agências privadas de segurança em seu livro "Voluntary Socialism" (pode conferir) de 1896. Ele era próximo a Tucker, que organizava o jornal Liberty; o qual reunia anarquistas socialistas e anti-capitalistas. Molinari escreveu uma carta elogiando o Liberty, o jornal escreveu um artigo sobre o livro de Molinari.

-Tucker era um anarquista anti-capitalista e pró-mercado. Era leitor de Proudhon e escreveu um artigo sobre as diferenças entre o socialismo de estado e o anarquismo, o socialismo libertário. (mais um tradução do libertyzine aqui).

-Oppenheimer era um socialista que escreveu sobre a teoria da exploração de uma classe sobre outra. Ele chegou a conclusão de que tal exploração se dava por meios políticos.

Hoppe é um anarco-capitalista que criticou a teoria da exploração de Marx, um socialista, porque esta não percebia que a exploração era praticada exclusivamente por meios políticos. Hoppe concorda com a análise austríaca da exploração, a qual concorda com o socialista Oppenheimer. (libertyzine, de novo).

Outra teoria de como a guerra entre classes ocorre por meios políticos foi desenvolvida por Samuel E. Konkin (link aqui), e sua teoria foi retirada na análise de Rothbard, um anarco-capitalista.

-Kevin Carson é um mutualista moderno (o que significa que voltamos a Proudhon e Tucker) que desenvolveu um síntese das teorias de valor dos clássicos, incluindo o socialista Marx, e dos austríacos, incluindo o capitalista Mises. Algo como tal síntese pode ser encontrada em Tandy (não acredita? pode conferir).

Boa parte das fontes usadas por Carson foram retiradas de notas de rodapé de livros de Noam Chomsky, um socialista anarco-sindicalista.

Ele também defende uma teoria da exploração que é a mesma de Oppenheimer, que é a mesma de Rothbard, que é a mesma de Hoppe.

Então, por que diabos todo esse medo em olhar para o outro lado da cerca?

*A figura é a capa do disco "The Division Bell" do Pink Floyd